Com trabalho sobre refugiados, aluna representa Faciplac nos EUA

Por Stéfany Lima*

 

Formada em Arquitetura e Urbanismo em 2018, Naila Morais, de 26 anos, participou de um dos principais congressos acadêmicos do mundo, o PUARL International Conference 2018, realizado em Portland, Oregon, no Estados Unidos. Com o seu trabalho de conclusão de curso (TCC), “Integração de refugiados, estudos de caso e projetos”, a aluna analisou um tema atual e humanitário, de grande relevância no cenário mundial.

A seguir, Naila Morais explica que sua decisão pelo curso de Arquitetura e Urbanismo aconteceu ainda no ensino médio, após uma experiência de estágio em uma grande construtora. Ao pesquisar sobre o curso, descobriu que a profissão envolve a arte, um dos fatores que mais pesou na sua decisão.

De acordo com Oscar Niemeyer, o curso de Arquitetura e Urbanismo “é a poesia da construção”. Na Faciplac, a opção de graduação tem a duração de cinco anos. Confira abaixo o bate-papo com Naila Morais, recém-formada pela Faciplac e umas das alunas mais promissoras da nossa instituição.

 

Você participou do PUARL International Conference 2018 com o seu trabalho de conclusão de curso “Centro de Refúgio e Convívio”. Como foi a experiência de ir para os Estados Unidos representar a Faciplac e o Brasil?

Naila Morais: Estar na PUARL Conference representando o Brasil e a FACIPLAC foi uma das experiências mais incríveis que pude ter até hoje. Saber que estávamos num contexto mundial discutindo o assunto com pessoas de outros países, com diferentes perspectivas e realidades foi muito gratificante, além de contribuir colocando o Brasil na discussão internacional sobre refugiados a partir da arquitetura. Algumas pessoas ficavam surpresas ao saber que estamos recebendo refugiados e pensando arquitetura para este fim.

 

O que te motivou a escolher esse tema?

Naila Morais: A crise de refugiados já é um dos maiores problemas do século 21. A ONU em seu último relatório mostra que o número de deslocamentos em todo o mundo ultrapassa os 68 milhões de pessoas. Temos o maior número de deslocamentos desde a segunda guerra mundial. Mais de 25 milhões são pessoas fugindo de guerras, desastres naturais e crises econômicas. E isso tem afetado diversos países. O assunto sempre me instigou e mexeu muito. Afinal, são milhares de indivíduos sendo forçados a deixarem não somente suas casas, mas suas histórias, suas culturas, suas famílias e em uma situação tão vulnerável terem que enfrentar os mais diversos desafios de um novo lugar. Acredito que o arquiteto tem papel social e nesse caso. Podemos propor soluções no âmbito da arquitetura para um problema de tamanha escala.

 

Como foi o primeiro contato com o curso?

Naila Morais: Não tem como se relacionar com arquitetura sem se apaixonar por ela. Os alunos dos primeiros períodos são sempre empolgados, criativos, cheios de ideias, pois é um curso apaixonante e inspirador. Eu me sentia exatamente assim. É um curso que nos exige muito, mas que todo esforço vale a pena.

 

Como você avalia as instalações e o corpo docente da Faciplac?

Naila Morais: A Faciplac é uma excelente instituição. Houve uma melhora muito significativa nas instalações ao longo dos últimos anos. O corpo docente sempre foi composto de profissionais competentes, com bastante conteúdo, tanto de matéria como de vivência, e que estavam sempre dispostos e disponíveis a ajudar os alunos. Muitas vezes eu era a aluna que ficava com o professor depois das aulas para entender melhor as matérias ou pegar orientações e sempre fui muito bem recebida.

A instituição e os professores foram essenciais para minha formação. Sou muito grata pelo suporte e aos professores pela confiança e por muitas das vezes não se limitarem a sua função. Tive mestres que se tornaram amigos, oásis em desertos, pessoas que dispuseram muito além de seu conhecimento. O curso de arquitetura possui tesouros escondidos em formato de professores. Abro um parêntese para duas grandes docentes: Fatah Mendonça, minha orientadora, e Franciney Carreiro, que sempre acreditaram em mim e me impulsionaram a ser melhor. A experiência internacional só foi possível devido a essas grandes mulheres e à instituição. Não há palavras que expressem toda a minha gratidão. Sinto que tenho as ferramentas necessárias para atuar na profissão e na vida sendo uma pessoa melhor.

 

Como a Arquitetura mudou a sua vida?

Naila Morais: A Arquitetura mudou minha forma de enxergar a vida e as pessoas. Passei a ter uma visão muito mais ampliada da vida, enxergar mais a necessidade do outro, afinal, projetamos espaços para pessoas. Além disso, a arquitetura me trouxe autoconhecimento e confiança, às vezes pensava que os desafios eram superiores a mim, mas no final conseguia dar conta de tudo.

A Arquitetura também é uma área muito promissora. E isso me motiva muito. Uma pesquisa do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) mostrou que 85% da população brasileira constrói sem auxílio de um profissional. Para nós, iniciantes, acredito que um dos maiores desafios é a conscientização da população de que contratar um arquiteto é essencial, pois garante segurança, previne problemas e otimiza tempo. Existe a ideia de que contratar um arquiteto é caro, mas a realidade é que varia apenas de 5% a 12% do valor de uma obra, além de poupar dores de cabeça e gastos desnecessários.

 

Quando você saiu do ensino médio já sabia qual profissão seguir? Qual o conselho daria para quem ainda está em dúvida de qual carreira seguir?

Naila Morais: Como acontece normalmente, durante o ensino médio tive muitas dúvidas sobre a escolha de um curso de graduação. Cheguei a pensar em Direito e Comunicação Social. No último ano do ensino médio, trabalhei numa grande construtora, como menor aprendiz, na área de Projetos, e o contato com arquitetos, plantas baixas e materiais de construção despertou em mim um enorme interesse pela área. Foi então que comecei a fazer testes vocacionais da internet e ler sobre o curso. Descobri que Arquitetura era bem mais do que eu pensava, além de ter várias matérias que eu me identificava bastante.

Sobre o conselho que daria para quem ainda não sabe qual carreira seguir, eu diria que, além de testes vocacionais, para descobrir as áreas que mais se identifica, é importante participar de jornadas vocacionais e visitas guiadas oferecidas pelas instituições. Conhecer a estrutura. Esse contato possibilita um conhecimento ainda maior sobre os cursos. Super indico! Por fim, eu diria para acreditarem em seus sonhos e seguir até o fim. Sempre vale a pena!

 

  

 

(*) Estagiária sob supervisão de João Rodrigues.